quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

                                                 
                                          
  ESMALTES E UM BURACO VAZIO
Ando insatisfeita com esmaltes. Troco de esmalte 2x por semana e quero comprar uma cor nova cada vez que pinto as unhas. Nunca acho a cor que estou procurando. Na verdade, troco tanto porque não sei a cor que tanto procuro. Ando insatisfeita com esmaltes. Com esmaltes, com hidratantes e comigo mesma.

Ando comprando coisas inúteis demais. Inúteis demais pra preencher um vazio interno que não precisa de esmalte, de hidratante perfumado ou de nenhuma outra coisa que se possa comprar. 

Dizem que a solidão é o mal do século. Eu concordo.

Solidão é ter amigos, ter uma família linda, ter milhares de admiradores e não ter a si mesma. Solidão é viver numa sociedade cada vez mais superficial, cada vez mais consumista.

Solidão é o que move a internet hoje (e sempre). Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters da vida se popularizam cada vez mais.

Queremos amigos; mensagens fofas; depoimentos dizendo pro resto do mundo o quanto somos lindos, cheirosos e bem amados... Queremos mostrar fotos das viagens pra Europa; fotos com 30 amigos diferentes; foto do namorado novo da semana; fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer... Queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. 

Mostramos (ou pelo menos tentamos mostrar) que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem pra Europa foi financiada em 1000x ou foi paga pela empresa; os 30 amigos da foto só são amigos na hora da foto e não pessoas que se importam de verdade no nosso dia-a-dia; e, os novos amores... Ahhh! Esses se vão a cada semana.

Temos 1000 amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme quarta-feira à noite. Nos comunicamos com todo mundo do Facebook para “reativar” a amizade de pessoas com as quais mal falávamos “Oi” há 2 anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho no elevador. Adicionamos Deus e o mundo no maldito MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos 3 frases ao longo do ano. 

Tudo muito virtual. Tudo muito superficial. 

Mas o vazio está lá... Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem. Nos tornamos tão efêmeros quanto os esmaltes da cor da moda e, assim vamos nós: trocando eles e todo o resto a cada semana do calendário.


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Um comentário:

  1. Muito bom! O tema é o mais falado hoe em dia.. td mundo sente a mesma agonia de suas unhas, mas confesso que fazia tempo, não via isso de forma tão "bem dita", embora maldita, a situação.

    Parabéns.

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