sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo. Realmente novo.


Desejo
Victor Hugo
 
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

                                                 
                                          
  ESMALTES E UM BURACO VAZIO
Ando insatisfeita com esmaltes. Troco de esmalte 2x por semana e quero comprar uma cor nova cada vez que pinto as unhas. Nunca acho a cor que estou procurando. Na verdade, troco tanto porque não sei a cor que tanto procuro. Ando insatisfeita com esmaltes. Com esmaltes, com hidratantes e comigo mesma.

Ando comprando coisas inúteis demais. Inúteis demais pra preencher um vazio interno que não precisa de esmalte, de hidratante perfumado ou de nenhuma outra coisa que se possa comprar. 

Dizem que a solidão é o mal do século. Eu concordo.

Solidão é ter amigos, ter uma família linda, ter milhares de admiradores e não ter a si mesma. Solidão é viver numa sociedade cada vez mais superficial, cada vez mais consumista.

Solidão é o que move a internet hoje (e sempre). Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters da vida se popularizam cada vez mais.

Queremos amigos; mensagens fofas; depoimentos dizendo pro resto do mundo o quanto somos lindos, cheirosos e bem amados... Queremos mostrar fotos das viagens pra Europa; fotos com 30 amigos diferentes; foto do namorado novo da semana; fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer... Queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. 

Mostramos (ou pelo menos tentamos mostrar) que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem pra Europa foi financiada em 1000x ou foi paga pela empresa; os 30 amigos da foto só são amigos na hora da foto e não pessoas que se importam de verdade no nosso dia-a-dia; e, os novos amores... Ahhh! Esses se vão a cada semana.

Temos 1000 amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme quarta-feira à noite. Nos comunicamos com todo mundo do Facebook para “reativar” a amizade de pessoas com as quais mal falávamos “Oi” há 2 anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho no elevador. Adicionamos Deus e o mundo no maldito MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos 3 frases ao longo do ano. 

Tudo muito virtual. Tudo muito superficial. 

Mas o vazio está lá... Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem. Nos tornamos tão efêmeros quanto os esmaltes da cor da moda e, assim vamos nós: trocando eles e todo o resto a cada semana do calendário.


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

...Felicidade essencial.



















"Uma das mais saborosas sensações de liberdade que eu conheço é flagrar meu coração feliz sem precisar de nenhum motivo aparente.

De vez em quando, a mente, que tantas vezes mente, me permite lembrar que essa felicidade essencial está o tempo todo disponível, preservada, por trás das nuvens que a negatividade infla.

Rio e me sinto mar."

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domingo, 5 de dezembro de 2010




"Te­nho que ter paciência para não me perder dentro de mim:
 vivo me perdendo de vista...
 Preciso de paciência porque sou vários caminhos,
 inclusive o fatal beco-sem-saída."
                                                                                                                                                Clarice Lispector



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                                        E o que passou, calou. E o que virá, dirá...
 
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010



"Normais levantam, reclamam, vestem, irritam-se, xingam
e cumprimentam sempre da mesma forma.

Dão as mesmas respostas para os mesmos problemas.

Tem o mesmo humor no serviço e em casa.

Petrificam sorrisos no rosto, dão presentes sempre nas mesmas datas...

Enfim, tem uma vida estafante e previsível.

Fonte para vazios e enfados.
Normais não surpreendem, não encantam.
 
Deus, livra-me dos normais."



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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

...Sim, estou.



"Bom, feliz talvez ainda não. Mas tenho assim... aquela coisa... como era mesmo o nome?

Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual?

- Esperança? Não me diga que você está com esperança!

- Estou, estou."

                                                                                                                                                                          Caio F. Abreu

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